Meia Equivalência

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Já parou pra pensar que a distância não equivale a saudade? Pelo menos não pra mim. Tenho ao meu ver que distância é coisa pouca, seja de 32km ou três mil e dois, é pouco. Muito pouco, quando se comparado a saudade que se tem de alguém.
Distância é um negócio relativo que oscila entre um e cinco metros conforme a pessoa se movimenta pela casa, ou talvez mais metros, ela também pode ir no mercadinho da esquina, afinal, cárcere privado não é bom pra ninguém! Já a saudade é um troço chato que machuca o coração de acordo com os minutos, com as horas e os dias que passam sem ter aquela pessoa por perto. Ou aquela coisa, não sei, quem sou eu pra dizer o que lhe faz falta?
Eu acho graça, e talvez a graça esteja no meu jeito de menina boba que se desentende, mas não é estranho como o meu corpo sente falta do seu corpo se a menos de quarenta e oito horas recarregamos os abraços? A gente é igual tomada e carregador né? Aliás, a gente não. O nosso coração e o coração de quem a gente deseja bem e nos quer bem, é igual tomada e carregador: quando tá juntinho ali, no mesmo ponto de localização do Google Maps, tá carregando, é tempo de tomar um açaí e dar uns cheiros no olho, pronto, tá abastecido. Mas aí, meu amigo, quando os pontos mudam ou as coisas mudam, o negócio fica feio.
A saudade aumenta conforme a distância né? Então pensando melhor, talvez equivalha. Mas também aumenta com o tempo, então é meia equivalência pra cada. E soma os dois, a dor aumenta e bate aquela agonia, uma vontade louca de sair correndo e encontrar seja lá o que quer que seja que você quer encontrar.
Você já sentiu saudade de alguém que ‘tá mesmo ponto que você? Alguém que você olha todo dia, mas ainda assim não ver? Essa é a pior saudade. É como se seu corpo estivesse deitado ao lado do corpo dela, juntos e ainda assim não se tocassem. É como não, é assim sim!
Falo de toque e de corpo porque meu corpo é feliz quando se estende num lugar macio pra repousar, me causa satisfação até na alma! Satisfação daquelas de quando a gente encurta a distância e mata a saudade, e não só saudade do corpo, também a da voz, a do cheiro, a do sorriso, das idiotices… E depois de tudo o que eu falei, 'cê ainda 'tá esperando o quê pra matar a saudade de alguém?

Texto de Natália Fernandes, autora do blog Vivendo em Pasárgada, amiga de muitas primaveras, dona de uma sensibilidade incrível e colaboradora do Erro Casual

6 comentários:

  1. eu adorei esse texto e achei super reflexivo..
    É horrível sentir saudade, principalmente quando a pessoa está do seu lado =/

    www.saidaminhalente.com

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    1. Sou suspeita para falar desse texto porque amo tudo o que a Nat escreve, mas concordo contigo, ele é muito reflexivo, me fez pensar muito sobre as pessoas das quais sinto saudades.
      Também acho que é horrível sentir saudades, mas também acho que tenha até seu lado bom: não existe sentimento melhor do que reencontrar quem a gente ama, não é mesmo?

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  2. Olá!!
    Conhecendo o blog hoje! :)
    Ah, a saudade... Amei o texto! Gostei muito dessa comparação que fez com a tomada! E quero agora mesmo ir ali matar uma saudade hehe Vou até conhecer o outro blog ^^
    Beeijo

    https://lecaferouge.blogspot.com.br/

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    1. Oi, seja bem-vinda <3
      Esse texto é só amor, né? Acho que essa questão da saudade é válida para todo mundo.
      Invejinha por você poder matar uma saudade haha
      Espero que você goste do blog da Nat!
      Beijos de luz :*

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  3. Que texto profundo, a linguagem que ela usa é realmente linda, nos prende.
    Beijão, Jardim de primavera

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    1. Concordo com você, acho que ele nos prende não só por isso, mas pelo fato da saudade ser um sentimento universal :)

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